mas afinal, quem é a dita cuja?
9 09UTC maio 09UTC 2007
sujeito da ação, deseja fazer coisas boas para pensar, sentir, ser: a dita se encanta e se personifica naqueles que produz e publica.
desliza nas teias da cultura e da política, entrelaçando pessoas e seus saberes, a fim de construir um mundo bom de se viver.
ela assume diferentes olhares e quer espalhar encanto, multiplicar aquilo que a faz respirar mais fundo, com zelo e amor.
acredita que transforma o que olha, com delicadeza, beleza, pensamentos vários, multidisciplinares se quiser.
se a dita emerge de um livro imaginário, nele estão todas as palavras, ela pode ser tudo o que disserem: é todo mundo e ninguém.
depende de quem aponta, quem a vê.
ela muda, reconstrói, se reinventa.
é a ditacuja.
14 14UTC maio 14UTC 2007 at 17:25
e porque palavras salvam dias tristes de chuva fina, passarinhos felizes com o frio, coração doendo:
este paraíso é de víboras azuis.
Herberto Helder
Este paraíso é assim:
repleto de raças respiratórias.
Nuvens, periquitos, uvas negras
à beira do deboche.
Este paraíso é assim:
relâmpagos & doces de leite,
punhal escapando da bainha
de vértebras.
Menino-acauã dançando
ao sol estrangeiro.
Este paraíso é assim:
folhas de mamona, submarinos
viajando no próprio sangue.
Leveza. Flores frenéticas.
Batuque sussurrando:
também eu
atravessei o inferno.
(Roberto Piva)